a cada
passo
respiro
te trago
por dentro
aberto
concreto policéfalo dentro de mim (deixo
que a cidade toda exista aqui
) ruas
sem saída toda a largura de uma avenida
íntima
que eu ainda te espero nessa esquina de dentro
trés-pedi, mon amour!
ou os amigotaurus compatriotas da ladeira cadente
solidão labiríntica
enfileirados e dobrados aberto aos cruzamentos
de um café
tudo aqui dentro -
a losna que são os teus olhos
que então rondam almofadas
minha cidade que me habita
perpétua branca e sangra
outono que carece de aparência
as raposas cheiram seu sovaco -
sempre tens escrito um haicai ali.
salvo a garoa de São Paulo
que um dia, agorinha talvez
se derrame como saliva sobre o tempero de concreto armado
que derruba montanhas inteiras dentro do coração de um parnaso
que grasna
como um passarinho ferido nas asas pelo estilingue das monções
nada mais dura
dura enquanto durar
deixo de viver nela, a cidade que desmorona
ruínas na subepiderme
mas meu coração é feito de avenidas largas
transversais de saturno e tetas de fenda
de quando abrir a gaveta e visitar esta minha cidade
dos prédios vermelhos de cigarros e Tokyo
constelar
dividida entre o vidro e o verde
brecada e recoberta de pula-joças
espero irrepreensível
lantejoulas no meio fio de augusto susto
no mês de antes
setembro marcado
verás um rosto que não tem mais nome de rua
Iquiririm, cães latinos,
métrica lunar.
Dentro da gente
São Paulo é irreconhecível agora
salvo a garoa
... e a Beleza então será como a marca de um ferro quente na carne de nossa Quimera
17.5.14
5.5.14
de prelo (ainda não)
Na margem de tudo o que é dito, antes e depois do discurso, há um
vão, que se abre entre a epiderme e a embriaguez do que é vulgar e
divino, neste buraco escondemos o que nos é mais precioso, é
inominável por isso, sem rosto, sem cheiro, sem altura, escorre
junto ao phatos, e tem um ar de fôlego que resseca a razão, pende
como um escroto pendular entre as pernas de Netuno Negro vendendo
Tridents no vagão do metrô da linha vermelha, e pode gerar proles,
pode erigir sonhos, lembranças, desejos, tudo aquilo que a gente
guarda bem esquecido no canto escuro da casa, como um corpo
assassinado, mas que logo começa a cheirar, e antes que todos
percebam, estamos lá, remexendo naquilo, tentando encontrar algum
lugar seguro para esconder novamente, sem ousar olhar para a coisa,
tateamos cegos o que poderia ser nossa salvação, nossa única
virtude, a única coisa que podemos olhar a fisionomia e dizer, isso
é meu, nosso pecado mais original, a única coisa em que
realmente podemos nos fiar e que fazemos questão de esconder no
escuro inalcançável de nossos corações...
13.1.14
de Cantando-blues
Esmagado o Azul
Esmeralda-flor
Cascos de cavalos pisoteando o céu
(As Nuvens não existem
apenas
possíveis
transitórios
Nenhuma beleza nubla a outra)
enquanto isso Zéfiro decanta a vida
no meu
fole-tórax
Esmeralda-flor
Cascos de cavalos pisoteando o céu
apenas
possíveis
transitórios
Nenhuma beleza nubla a outra)
enquanto isso Zéfiro decanta a vida
no meu
fole-tórax
21.12.13
de junho
Detivemos o tempo
como num p r o l o n g a d o
TEMPO-BEIJO
(bandeiras e bandanas)
E lá
no íntimo
encarnados e desnudos
-se vestíamos em preto-
lutávamos pelo mínimo
BEIJO-FUTURO
(casa e vida e história)
Todas as bocas podiam e
s
c
o
r
r
e
r
possibilidades
A mordida
- impossível de evitar -
tardou
o fim
d'um simples
abraço.
como num p r o l o n g a d o
TEMPO-BEIJO
(bandeiras e bandanas)
E lá
no íntimo
encarnados e desnudos
-se vestíamos em preto-
lutávamos pelo mínimo
BEIJO-FUTURO
(casa e vida e história)
Todas as bocas podiam e
s
c
o
r
r
e
r
possibilidades
A mordida
- impossível de evitar -
tardou
o fim
d'um simples
abraço.
19.11.13
de Furta-cor (ainda para)
viver
dentro
do teu nome
dos dias
e
dentro das noites
de mortes
enormes
te faço
tatuadas
a dentagens:
- meu amor!
te oponho ao sonho
e deito
ponta cabeça
no teu beiço
desenhando oblíquos
na tua teta
de tela
furta-cor
aquatinta tentativa
de pintar
possíveis
- mas obedeço tua forma -
paisagem-flor:
nu corpo
de mulher
acinzentada
dentro
do teu nome
dos dias
e
dentro das noites
de mortes
enormes
te faço
tatuadas
a dentagens:
- meu amor!
te oponho ao sonho
e deito
ponta cabeça
no teu beiço
desenhando oblíquos
na tua teta
de tela
furta-cor
aquatinta tentativa
de pintar
possíveis
- mas obedeço tua forma -
paisagem-flor:
nu corpo
de mulher
acinzentada
4.11.13
de Arabescos
Dos arabescos
de nossos antigos
encobertos
lapsos-labiais
verticais
abertos
cruzados
vemos nos pontilhados
entre-gestos
a vitamina salgada
do vir-a-ser
Os olhos estão escancarados
(dentro das pálpebras)
abertos aos sonhados
RPM dos demiurgos -
Nós dois
sentados em sua cama
observando-nos
como amantes tardios
entre as alamedas
de saturno adormecido.
de nossos antigos
encobertos
lapsos-labiais
verticais
abertos
cruzados
vemos nos pontilhados
entre-gestos
a vitamina salgada
do vir-a-ser
Os olhos estão escancarados
(dentro das pálpebras)
abertos aos sonhados
RPM dos demiurgos -
Nós dois
sentados em sua cama
observando-nos
como amantes tardios
entre as alamedas
de saturno adormecido.
9.9.13
de flores tardias (para)
Permito (e aceita!)
mirar minhas fragilidades
somente a ti
todo este repertório
de outonos
e vindouros
em que te pertenço imerso
e que te entrego
no avesso da flor
tardio.
mirar minhas fragilidades
somente a ti
todo este repertório
de outonos
e vindouros
em que te pertenço imerso
e que te entrego
no avesso da flor
tardio.
19.8.13
de Anteontem
Tartarugas porscheavam
p e l a s a v e n i d a s l a r g a s
Tosquemundeavam cu de pombas
pelos monumentos de mármore
E onde
no calcanhar de madames mordiam os SuperLúmpens
esvaziava a vida de seus corpos
que quando pingavam gotas-
vadias de sangue
brotejavam do chão
Flores-Analgésicas
os arco-íris eram gelados
e
a estação
vermelha
p e l a s a v e n i d a s l a r g a s
Tosquemundeavam cu de pombas
pelos monumentos de mármore
E onde
no calcanhar de madames mordiam os SuperLúmpens
esvaziava a vida de seus corpos
que quando pingavam gotas-
vadias de sangue
brotejavam do chão
Flores-Analgésicas
os arco-íris eram gelados
e
a estação
vermelha
24.7.13
de Geometerias!
Aparentemente o amor é um
à parte
para ela
corrigindo!: uma p a r a l e l a
se sua bunda está na horizontal
e a relação é uma transversal
então
o nosso amor
é uma tangente
(isso está fora da aparência)
- e não há cálculo para a dor.
à parte
para ela
corrigindo!: uma p a r a l e l a
se sua bunda está na horizontal
e a relação é uma transversal
então
o nosso amor
é uma tangente
(isso está fora da aparência)
- e não há cálculo para a dor.
16.7.13
de Mercuccio!
Alas!, poor Mercucio!
Eu o conheci...
O planeta Mercúrio.
H e r m e s - v e r m e s - h o c u s - p o r c o s !
eu não possuo atmosfera – eu transpiro
existe o sossego
e eu exijo o êxtase
e existe, entre uma coisa e outra – o ar
um medo inominável
e um riso
depois da outra vez
outras coisas assim, mais ou menos indizíveis
indivisíveis
um rancor e um soco não traduz: Alas!
- a melhor maneira é ser anjo.
UM ANJO DESPIDO
PROTESTAVA:
NÃO COLHIA UVAS –
DUVIDAVA DO VINHO!
Milton dizia...
O que eu sinto
O que ainda sei o que seremos depois disso tudo
seremos um outro depois
E depois o depois.
“...e depois”, temia a órbita presunçosa com a sandália na mão e o coração na ponta da língua...
parecia um transgressão como qualquer outra das oitenta e oito praticadas diariamente pela liturgia do ver ou não ver agora tudo apagado
desperdício de tempo
porque o mundo
já não tem idade
uma órbita de oitenta e oito dias
ma-u ta-bi-ór de ta-ten-oi e to-ôi as-di
e uma dor maior:
- NÃO TE MATARÃO MAIS DO QUE JÁ FOSSES CADÁVER.
não foi sonho?
A l a s. A l a s. A l a s. A l a s. A l a s.
não foi sonho?
A alma não deixa rastros.
escoa
límpida
serena e ociosa
não se parece com a gente?E não se parece com a gente.
a gente parece um peido seco.
Sonhei que EM TEMPO DE SAFRA DESENTERRAR-ME-IA OS PÉS DA TERRA E – TOMA-ME!
ENTREGUEI-LHE MEU SANGUE E O TRIGO ELOQÜENTE.
Eu o conheci...
O planeta Mercúrio.
H e r m e s - v e r m e s - h o c u s - p o r c o s !
eu não possuo atmosfera – eu transpiro
existe o sossego
e eu exijo o êxtase
e existe, entre uma coisa e outra – o ar
um medo inominável
e um riso
depois da outra vez
outras coisas assim, mais ou menos indizíveis
indivisíveis
um rancor e um soco não traduz: Alas!
- a melhor maneira é ser anjo.
UM ANJO DESPIDO
PROTESTAVA:
NÃO COLHIA UVAS –
DUVIDAVA DO VINHO!
Milton dizia...
O que eu sinto
O que ainda sei o que seremos depois disso tudo
seremos um outro depois
E depois o depois.
“...e depois”, temia a órbita presunçosa com a sandália na mão e o coração na ponta da língua...
parecia um transgressão como qualquer outra das oitenta e oito praticadas diariamente pela liturgia do ver ou não ver agora tudo apagado
desperdício de tempo
porque o mundo
já não tem idade
uma órbita de oitenta e oito dias
ma-u ta-bi-ór de ta-ten-oi e to-ôi as-di
e uma dor maior:
- NÃO TE MATARÃO MAIS DO QUE JÁ FOSSES CADÁVER.
não foi sonho?
A l a s. A l a s. A l a s. A l a s. A l a s.
não foi sonho?
A alma não deixa rastros.
escoa
límpida
serena e ociosa
não se parece com a gente?E não se parece com a gente.
a gente parece um peido seco.
Sonhei que EM TEMPO DE SAFRA DESENTERRAR-ME-IA OS PÉS DA TERRA E – TOMA-ME!
ENTREGUEI-LHE MEU SANGUE E O TRIGO ELOQÜENTE.
5.7.13
de cassiasineiresas
um vínculo irrealizável!
dáctilo-ideias : matéria-vermelha
-duas parábolas sobre o sonho e o sonhador-
confundidos pelos lençóis, pela folia e pela catequese
p r e f e r i r a m a p o s t a r e m c a v a l o s
que correr o risco...
Fábula número dois: corujas que piam e carcarejam e uivam dólares no soluço do boi - ou
foi
pai quem cria
ou
foi
quem deus criou...
dáctilo-ideias : matéria-vermelha
-duas parábolas sobre o sonho e o sonhador-
confundidos pelos lençóis, pela folia e pela catequese
p r e f e r i r a m a p o s t a r e m c a v a l o s
que correr o risco...
Fábula número dois: corujas que piam e carcarejam e uivam dólares no soluço do boi - ou
foi
pai quem cria
ou
foi
quem deus criou...
24.6.13
des pedidos
Eu te pedia
com osso convicto
e canhestro
imoderado como chuva
fresca
-labial-
Lembro-me daquele outono preso
dentro da cidadeSuja
tua voz
definia onde
e longe
e s t a v a f o r a d a b o c a
e já não me alcançava
e já não me alcançava
10.6.13
de Gostos
Tua língua na minha
já não sou apenas uma lambida
SOMOS
-com gosto de beijo-
Quando a lígua divide o doce do salgado
não somos normas
não somos modelo
a gustação tem efeito antes dos nomes
- meu, docinho! - diz a babá ao bebê.
TUDO ISSO
... enquanto panelas típicas batem idéias na cabeça mole da criança tonta...
15.4.13
di Frattelli
Espero os amigos
- Vós!
os caleidos-vós:
Quem os viu?
Eles não vêm.
Mas deixo abertas
as portas
por onde
podem
pelos infinitos cardinais...
Atravessar
cantando
o t r i s t e T â m i s a
e
d o
v e r m e l h o - l e s t e
beber a noite
fundar A Confraria
e comigo
e s t i c a r a v o z
- Vós!
os caleidos-vós:
Quem os viu?
Eles não vêm.
Mas deixo abertas
as portas
por onde
podem
pelos infinitos cardinais...
Atravessar
cantando
o t r i s t e T â m i s a
e
d o
v e r m e l h o - l e s t e
beber a noite
fundar A Confraria
e comigo
e s t i c a r a v o z
30.3.13
de fotofobia
todas as luzes abertas sobre teu rosto -
DEVO AGIR COMO FOTÓFOBO
brinco de beber pelas beiradas
- teu olho à vapor -
i m b e b í v e l
e é sob este augúrio:
março-sede que
enlua boca
de gotas-luzes
que também tu
deves
(me beber)
3.3.13
de Retinas - para.
Se o beijo ferir tuas retinas
arranca-as fora!
Já que não sabe delas
lamber
extensas
paisagens
e não consentirás nunca
a febre
o pólen
nelas
porque
TEU CÉREBRO nele não há polegar o p o s i t o r
vá! mosca-varejeira! gira na porta-giratória,
enche a pança com tudo o que é médio e...
- exilando a vida da própria vida...
decalcando a cópia do modelo...
não mais se reconhece... -
então
ATEIO LÁBIOS
nos teu olhos
(abrasa-te!)
Pra que tenha as vistas ígneas
de dentro
até as flores
fora do tempo
e incandescido
pelo fogo
que queima o fogo:
- atiço o incompatível -
acendo beijos!
no extenso-água
de tua combustível-
pálpebra
arranca-as fora!
Já que não sabe delas
lamber
extensas
paisagens
e não consentirás nunca
a febre
o pólen
nelas
porque
TEU CÉREBRO nele não há polegar o p o s i t o r
vá! mosca-varejeira! gira na porta-giratória,
enche a pança com tudo o que é médio e...
- exilando a vida da própria vida...
decalcando a cópia do modelo...
não mais se reconhece... -
então
ATEIO LÁBIOS
nos teu olhos
(abrasa-te!)
Pra que tenha as vistas ígneas
de dentro
até as flores
fora do tempo
e incandescido
pelo fogo
que queima o fogo:
- atiço o incompatível -
acendo beijos!
no extenso-água
de tua combustível-
pálpebra
28.2.13
de Alvos
toda coisa vista
assim
(excluso)
de fora
pra dentro de qualquer compreensão
s e j a
ela
clara
ou
NÃO
nem um sim
alvo
da
total escuridão
- meneghetti roubando a luz negra dos jornais -
1913 di Savoia
sobra sebastião
catando guimbas açucaradas
meninos cola-tocadores
de pífanos e cachimbos
engraxando cães-noturnos-policiais
enquanto isso
madames-ONG negociam melaninas
na avenida
Santo-Coração
assim
(excluso)
de fora
pra dentro de qualquer compreensão
s e j a
ela
clara
ou
NÃO
nem um sim
alvo
da
total escuridão
- meneghetti roubando a luz negra dos jornais -
1913 di Savoia
sobra sebastião
catando guimbas açucaradas
meninos cola-tocadores
de pífanos e cachimbos
engraxando cães-noturnos-policiais
enquanto isso
madames-ONG negociam melaninas
na avenida
Santo-Coração
15.1.13
de Lá - (para j.m.s.r.) - crimal
Escorridos pelos
i n c o n t o r n á v e i s
lapsos-olhos
SAIS LIQUEFEITOS
e
saturnais-sóis
- uma palavra desestabilizada -
o ar
retornado
da boca para a boca
glote a dentro.
LÁ-o-beijo-recolhido-CRIMAL
Aqui, na órbita das significações
Amanhã
e Nunca s o p r a m
um ao outro
o significado
da palavra
FICA
i n c o n t o r n á v e i s
lapsos-olhos
SAIS LIQUEFEITOS
e
saturnais-sóis
- uma palavra desestabilizada -
o ar
retornado
da boca para a boca
glote a dentro.
LÁ-o-beijo-recolhido-CRIMAL
Aqui, na órbita das significações
Amanhã
e Nunca s o p r a m
um ao outro
o significado
da palavra
FICA
24.12.12
de Tardios e Derivados
Sempre um passo a frente...
de qual
quer
um
que seja
Eu
Tu
Nós
os outros
eis um caminho
i n f o r m i g á v e l
SIM: ao que tudo indica - (mera formalidade...)
No entanto,
aqui sonhamos à Noite
e em demasia
e depois
Continuamos -
Em marcha!
En passant...
tardios.
Devirados
rodopiados pelo tempo
- o que poderia ter sido -
(mera possibilidade...)
e do que há de ser:
caminho
i n e v i t á v e l
Portanto,
e pra onde aponta
é daqui que se reproduz a vida
e em abundância
e depois do depois
Continuamaremos assim -
Em marcha!
En passant...
à deriva.
20.12.12
de Ontem
Ontem reescrevi um poema teu
sem mudar
p a l a v r a v e r s o s e n t i d o
Reescrevi: em-outro-
canto-da-pele
Não mudei de lugar os olhos que
miram contentes
nem tristes
Reescrevi ONTEM
poema teu
Lábios: não mais
-os mesmos-
sem aquela caligrafia outra,
não pude reescrevê-lo
em tua-
língua-própria
traduzi-o
15.12.12
de Corposnossos
...o corpo dócil, o corpo sociável, o corpo apto, o corpo útil, o corpo amoroso, o corpo máquina, o corpo livre, o corpo sarado, o corpo pasmo, o corpo cólera, o corpo lucro, o corpo porco, o corpo cópo, o corpo torto, o corpo corpo - sejamos, ora, nosso próprio câncer; o cancro, a osteoporose, a lepra, a fratura, a falência múltipla dos órgãos, a cegueira, o hpv, a auto-estripação e a infertilidade - assim talvez
um dia
sejamos
c o r p o s n o s s o s...
um dia
sejamos
c o r p o s n o s s o s...
7.11.12
de Nada
será necessário não gostar mais de flores nem gastar a sola dos sapatos nem gozar das lembranças nem contar as horas que faltam... seria preciso não ter existido jamais.
um tiro no peito com a força de um murro, isso não bastaria, uma degola com sapateios de uma faca espanhola, não seria suficiente, a explosão dos dentes e das vertentes via Anhaguera numa segundafeira, isso não dói, ad eternizar uns bugalhos de olhos na asfixia dos pulmões, isso tudo não chegaria próximo a singeleza de uma ou duas palavras que nos desossam pela força de sua delicadeza e pela crueza de sua forma, e tudo ficando acabado e vazio e triste, faria um fio de navalha parecer uma larga avenida onde se pudesse cortejar com tanques de guerra, já que o caminho dessas palavras de tão finas parecem não existir, como se não houvesse limite, um fio, uma separação, nem transparente, nem imaginário, como se não houvesse mais risco, como se dentro e fora já não mais existisse, sim e não formando um todo odioso e amoroso, como se a queda fosse já constan-ternamente uma sensação necessária...
o pedido do impedido é uma grande mentira, como quem motiva e agradece obrigado a tentativa de nada...
um tiro no peito com a força de um murro, isso não bastaria, uma degola com sapateios de uma faca espanhola, não seria suficiente, a explosão dos dentes e das vertentes via Anhaguera numa segundafeira, isso não dói, ad eternizar uns bugalhos de olhos na asfixia dos pulmões, isso tudo não chegaria próximo a singeleza de uma ou duas palavras que nos desossam pela força de sua delicadeza e pela crueza de sua forma, e tudo ficando acabado e vazio e triste, faria um fio de navalha parecer uma larga avenida onde se pudesse cortejar com tanques de guerra, já que o caminho dessas palavras de tão finas parecem não existir, como se não houvesse limite, um fio, uma separação, nem transparente, nem imaginário, como se não houvesse mais risco, como se dentro e fora já não mais existisse, sim e não formando um todo odioso e amoroso, como se a queda fosse já constan-ternamente uma sensação necessária...
o pedido do impedido é uma grande mentira, como quem motiva e agradece obrigado a tentativa de nada...
22.10.12
de Quedas...
uma vez, um homem tentando chegar perto do sol, tendo feito asas para voar, e para tanto, colado as suas asas postiçadas com pequenos nacos de cera, caiu, em vertiginosa queda, depois de ter alçado vôo em direção de seu Sol, quente e fumegante, como todo o sol costuma ser... - asas, sendo o que são, coisas flutuantes como pensamentos, coisas plumosas como se fossesm realmente asas, mas sendo postiças, como barbas de profeta, como são as botas do Gato de Botas, e derretendo com o calor de seu objeto-Sol de desejo, ele caiu. Caiu como caem os cacarecos pensados para durar. Caiu como tudo o que sobe. Caiu como um quadril mole sobre um pesado supercazzolo do desejo. Caiu como caem as flores do Ipê Amarelo - espetáculo pros olhos - florescendo alegres, entre quedas e abraços...
- olho de ícaro debruçado sobre a cidade nua -
num nariz sangrado, de tantas quedas: o cheiro do Sol...
ela
solipsisando
o arqueduto
dentro da pele:
- segunda epiderme do prazer...
"um risco numa folha de papel:
um caminho
ou
um salto no abismo"
ÍCARO DESESPERADO - o que pensa ele enquanto cai?
(medir o tempo, possuir o barômetro da nossa alma, e ter um segundo antes de tudo pra negar o que dói...)
uma vez um anjo quebrou a asa e gemeu de dor - a família pediu reembolso postal para a igreja e curou a dor...
em algum lugar paradisíaco um homem dobrou certo seu pára-quedas e teve um final feliz...
ìcaro era grego e não entendeu direito os números romanos...
Contagem Regressiva: 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...
- A pletitude das coisas na insuficiência do tempo -
...um broto de ipê-amarelo começou a germinar...
agora, faltam olhos
para olhar
m a i s
(a m o r o s a-
-m e n t e)
- olho de ícaro debruçado sobre a cidade nua -
num nariz sangrado, de tantas quedas: o cheiro do Sol...
ela
solipsisando
o arqueduto
dentro da pele:
- segunda epiderme do prazer...
"um risco numa folha de papel:
um caminho
ou
um salto no abismo"
ÍCARO DESESPERADO - o que pensa ele enquanto cai?
(medir o tempo, possuir o barômetro da nossa alma, e ter um segundo antes de tudo pra negar o que dói...)
uma vez um anjo quebrou a asa e gemeu de dor - a família pediu reembolso postal para a igreja e curou a dor...
em algum lugar paradisíaco um homem dobrou certo seu pára-quedas e teve um final feliz...
ìcaro era grego e não entendeu direito os números romanos...
Contagem Regressiva: 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...
- A pletitude das coisas na insuficiência do tempo -
...um broto de ipê-amarelo começou a germinar...
agora, faltam olhos
para olhar
m a i s
(a m o r o s a-
-m e n t e)
19.10.12
de Cartaratas de amor
Dus qui si dexaram poco si soube... apenas disseram adeus e nada além do amor deles significou pra mais ninguém. Um dia um homem eficiente leu sobre o romance que eles ousaram inventar no tempo que lhes foi dado pra isso, mas não entendeu nada e foi comer sardinhas num show aquático... ele havia se consultado com um doutor que além de médico era colecionador de selos, e apesar do diagnóstico, ainda assim, insistiu que pro homem doente seria um bom passatempo colecionar coisas, mesmo que não lhe restasse muito tempo pra isso... podia ser qualquer coisa que fosse velha e fosse barata e valesse a pena juntar em quantidade... assim, o homem resolveu colecionar amores que não tinha vivido. Cartas de amor que significadas e tendo o carimbo do correio, e tendo seus autores e leitores sido mortos por câmaras de gás, chicote no lombo, ou qualquer outro tipo de fatalidade humana, tivessem vivido seu tempo e registrado suas intenções de fornicação perpétua em bucólicas imagens sublimadas em cartas de amor... assim o homem doente terminal conseguiu juntar algumas, e antes de se cansar dessa sua ideia idiota que havia sido influenciada pelo velho médico estúpido de narinas entupidas que tinha interesse em coleção de selos, ele encontrou uma carta de amor de despedida. Os amantes se amavam. Os amantes se queriam muito e não ficava muito claro o motivo pelo qual se separariam, e diziam, que dali pra frente, caranguejo andava torto ou o amor mesmo é coisa que dá azia.... assim, se despediram, e sem demonstrar o menor remorso, assinavam, ADEUS... o homem doente leu a carta enquanto se limpava depois de uma cagada e pensava onde catalogaria tal carta de amor.... refletia sobre o grau amoroso que continha na carta e sofrendo de poderosa cólica, faleceu num banheiro público sem nunca ter escrito uma carta de amor sequer....
16.3.12
de Olhosos
saber do que está por trás da vida:
ratos resfolegando
a
-mor
-te
(sidos)
através de uma cortina
esta núpcia entre o antes e o depois
o prazer! que divide a paz nula da vida ainda não vivida,
& o terror que aprisiona na lembrança uma vida já rubra e gasta
esta núpcia
que fica entre olhos que nunca incendiaram florestas
nunca rebentaram a vida
nulos
e olhos - escudos
&
lanças - que já sublimaram e condenaram muito
olhos,
que molharam
e determinaram
os séculos
no brilho das estrelas
(mortas)
VÉU
DE
pupilasedas -
p o r t r á s d a s p a l a v r a s t i n t a s
(silêncio apenas)
de um lado estão as coisas
do outro
IDEIAS
NUAS
ratos resfolegando
a
-mor
-te
(sidos)
através de uma cortina
esta núpcia entre o antes e o depois
o prazer! que divide a paz nula da vida ainda não vivida,
& o terror que aprisiona na lembrança uma vida já rubra e gasta
esta núpcia
que fica entre olhos que nunca incendiaram florestas
nunca rebentaram a vida
nulos
e olhos - escudos
&
lanças - que já sublimaram e condenaram muito
olhos,
que molharam
e determinaram
os séculos
no brilho das estrelas
(mortas)
VÉU
DE
pupilasedas -
p o r t r á s d a s p a l a v r a s t i n t a s
(silêncio apenas)
de um lado estão as coisas
do outro
IDEIAS
NUAS
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