uma vez, um homem tentando chegar perto do sol, tendo feito asas para voar, e para tanto, colado as suas asas postiçadas com pequenos nacos de cera, caiu, em vertiginosa queda, depois de ter alçado vôo em direção de seu Sol, quente e fumegante, como todo o sol costuma ser... - asas, sendo o que são, coisas flutuantes como pensamentos, coisas plumosas como se fossesm realmente asas, mas sendo postiças, como barbas de profeta, como são as botas do Gato de Botas, e derretendo com o calor de seu objeto-Sol de desejo, ele caiu. Caiu como caem os cacarecos pensados para durar. Caiu como tudo o que sobe. Caiu como um quadril mole sobre um pesado supercazzolo do desejo. Caiu como caem as flores do Ipê Amarelo - espetáculo pros olhos - florescendo alegres, entre quedas e abraços...
- olho de ícaro debruçado sobre a cidade nua -
num nariz sangrado, de tantas quedas: o cheiro do Sol...
ela
solipsisando
o arqueduto
dentro da pele:
- segunda epiderme do prazer...
"um risco numa folha de papel:
um caminho
ou
um salto no abismo"
ÍCARO DESESPERADO - o que pensa ele enquanto cai?
(medir o tempo, possuir o barômetro da nossa alma, e ter um segundo antes de tudo pra negar o que dói...)
uma vez um anjo quebrou a asa e gemeu de dor - a família pediu reembolso postal para a igreja e curou a dor...
em algum lugar paradisíaco um homem dobrou certo seu pára-quedas e teve um final feliz...
ìcaro era grego e não entendeu direito os números romanos...
Contagem Regressiva: 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...
- A pletitude das coisas na insuficiência do tempo -
...um broto de ipê-amarelo começou a germinar...
agora, faltam olhos
para olhar
m a i s
(a m o r o s a-
-m e n t e)
... e a Beleza então será como a marca de um ferro quente na carne de nossa Quimera
22.10.12
19.10.12
de Cartaratas de amor
Dus qui si dexaram poco si soube... apenas disseram adeus e nada além do amor deles significou pra mais ninguém. Um dia um homem eficiente leu sobre o romance que eles ousaram inventar no tempo que lhes foi dado pra isso, mas não entendeu nada e foi comer sardinhas num show aquático... ele havia se consultado com um doutor que além de médico era colecionador de selos, e apesar do diagnóstico, ainda assim, insistiu que pro homem doente seria um bom passatempo colecionar coisas, mesmo que não lhe restasse muito tempo pra isso... podia ser qualquer coisa que fosse velha e fosse barata e valesse a pena juntar em quantidade... assim, o homem resolveu colecionar amores que não tinha vivido. Cartas de amor que significadas e tendo o carimbo do correio, e tendo seus autores e leitores sido mortos por câmaras de gás, chicote no lombo, ou qualquer outro tipo de fatalidade humana, tivessem vivido seu tempo e registrado suas intenções de fornicação perpétua em bucólicas imagens sublimadas em cartas de amor... assim o homem doente terminal conseguiu juntar algumas, e antes de se cansar dessa sua ideia idiota que havia sido influenciada pelo velho médico estúpido de narinas entupidas que tinha interesse em coleção de selos, ele encontrou uma carta de amor de despedida. Os amantes se amavam. Os amantes se queriam muito e não ficava muito claro o motivo pelo qual se separariam, e diziam, que dali pra frente, caranguejo andava torto ou o amor mesmo é coisa que dá azia.... assim, se despediram, e sem demonstrar o menor remorso, assinavam, ADEUS... o homem doente leu a carta enquanto se limpava depois de uma cagada e pensava onde catalogaria tal carta de amor.... refletia sobre o grau amoroso que continha na carta e sofrendo de poderosa cólica, faleceu num banheiro público sem nunca ter escrito uma carta de amor sequer....
16.3.12
de Olhosos
saber do que está por trás da vida:
ratos resfolegando
a
-mor
-te
(sidos)
através de uma cortina
esta núpcia entre o antes e o depois
o prazer! que divide a paz nula da vida ainda não vivida,
& o terror que aprisiona na lembrança uma vida já rubra e gasta
esta núpcia
que fica entre olhos que nunca incendiaram florestas
nunca rebentaram a vida
nulos
e olhos - escudos
&
lanças - que já sublimaram e condenaram muito
olhos,
que molharam
e determinaram
os séculos
no brilho das estrelas
(mortas)
VÉU
DE
pupilasedas -
p o r t r á s d a s p a l a v r a s t i n t a s
(silêncio apenas)
de um lado estão as coisas
do outro
IDEIAS
NUAS
ratos resfolegando
a
-mor
-te
(sidos)
através de uma cortina
esta núpcia entre o antes e o depois
o prazer! que divide a paz nula da vida ainda não vivida,
& o terror que aprisiona na lembrança uma vida já rubra e gasta
esta núpcia
que fica entre olhos que nunca incendiaram florestas
nunca rebentaram a vida
nulos
e olhos - escudos
&
lanças - que já sublimaram e condenaram muito
olhos,
que molharam
e determinaram
os séculos
no brilho das estrelas
(mortas)
VÉU
DE
pupilasedas -
p o r t r á s d a s p a l a v r a s t i n t a s
(silêncio apenas)
de um lado estão as coisas
do outro
IDEIAS
NUAS
16.1.12
de Vir e voltar a ser
cada minuto que vai contém:
séculos acumulados dentro de si
a história da humanidade
está escancarada
aqui
dentro deste quarto
nesta casa
neste quarteirão
neste bairro
nesta cidade
neste país
continente e mundo e galáxia
- não existem -
as idéias são palavras nuas...
da lua
é possível
ver
shernobyl, fukushima, nasdaq brilhando
mais
que
estrelas
poentes
ou
vagalumes piscando
...segundo a crença, dizem que Jeová era muher...
e a criança perdida no colo da mãe responde: - sem história não há Gutenberg, e
sem Gutenberg não há Best-Seller!
- tudo isso se explica
com uma nota-de-roda-pé:
NÃO FICAM¹
ao lado da porta
por onde entram e saem as gentes
mãos fincam maçanetas
e passam pela história
como se trocassem de roupa.
¹) o que foi; é o que está sendo; que logo deixará de ser; e será novamente.
séculos acumulados dentro de si
a história da humanidade
está escancarada
aqui
dentro deste quarto
nesta casa
neste quarteirão
neste bairro
nesta cidade
neste país
continente e mundo e galáxia
- não existem -
as idéias são palavras nuas...
da lua
é possível
ver
shernobyl, fukushima, nasdaq brilhando
mais
que
estrelas
poentes
ou
vagalumes piscando
...segundo a crença, dizem que Jeová era muher...
e a criança perdida no colo da mãe responde: - sem história não há Gutenberg, e
sem Gutenberg não há Best-Seller!
- tudo isso se explica
com uma nota-de-roda-pé:
NÃO FICAM¹
ao lado da porta
por onde entram e saem as gentes
mãos fincam maçanetas
e passam pela história
como se trocassem de roupa.
¹) o que foi; é o que está sendo; que logo deixará de ser; e será novamente.
3.1.12
de Lá do lado da rua
a pior catástrofe dos últimos cinquenta euros...
e a luz acesa a noite inteira do outro lado da rua.
Aquiles, Anabelle, Papoula, Lila...
e a luz continua acesa do outro lado da rua.
cinco cigarros e um punhado de tranquilidade
há que seguir de jejum em jejum durante a gesta tropical
e a luz continuará acesa a noite inteira.
uma tempestade de areia...
e a luz só ilumina o outro lado da rua.
dois punhados de garotas numa noite sóbria
um preservativo usando meias de papai noel
e eu
perdido entre as segundas feiras...
a luz do poste brilha bonita do outro lado da noite.
tudo parece ter sido tão triste
a história ainda sangrando pelas fendas do devir
é preciso que se pague a conta de luz no final da rua.
dois valetes valentes fizeram a mão vencedora
resultado: dívidas, e um olho virado pro infinito
é preciso que se apague a luz no final do dia.
...a mulher descalçada acocora-se na sarjeta nua
(e da lata do seu cachimbo) dá a luz
que ilumina
o outro lado da lua.
e a luz acesa a noite inteira do outro lado da rua.
Aquiles, Anabelle, Papoula, Lila...
e a luz continua acesa do outro lado da rua.
cinco cigarros e um punhado de tranquilidade
há que seguir de jejum em jejum durante a gesta tropical
e a luz continuará acesa a noite inteira.
uma tempestade de areia...
e a luz só ilumina o outro lado da rua.
dois punhados de garotas numa noite sóbria
um preservativo usando meias de papai noel
e eu
perdido entre as segundas feiras...
a luz do poste brilha bonita do outro lado da noite.
tudo parece ter sido tão triste
a história ainda sangrando pelas fendas do devir
é preciso que se pague a conta de luz no final da rua.
dois valetes valentes fizeram a mão vencedora
resultado: dívidas, e um olho virado pro infinito
é preciso que se apague a luz no final do dia.
...a mulher descalçada acocora-se na sarjeta nua
(e da lata do seu cachimbo) dá a luz
que ilumina
o outro lado da lua.
6.12.11
de matinocídio
a manhã e eu nos estranhamos
foi um matinocídio
ERA COMO SE O DIA
mistura de pó translúcido e a deusa virgem enlouquecida de tesão
- máscara do tempo -
ficção dos sete
uma semana de trilhões de bilhões de sustos em wall street berrini de ferro
misto de suíno e sina
prata da casa chourizos de bronze
forjado na história uma ponte pro futuro
FOSSE...
(luz fresca)
até mesmo Billie Holliday empalideceu
quando o gurú dos lábios moles manteiga de cacau gurú natal pura vitalidade e ossatura vegetariana empata foda sempre alerta
oferecidamente ofereceu
pílulas de verdade
sem data de validade
(idéia fixa)
DURAR PARA SEMPRE!
...e ser um natimorto no jardim das delícias e dos cosméticos
foi um matinocídio
ERA COMO SE O DIA
mistura de pó translúcido e a deusa virgem enlouquecida de tesão
- máscara do tempo -
ficção dos sete
uma semana de trilhões de bilhões de sustos em wall street berrini de ferro
misto de suíno e sina
prata da casa chourizos de bronze
forjado na história uma ponte pro futuro
FOSSE...
(luz fresca)
até mesmo Billie Holliday empalideceu
quando o gurú dos lábios moles manteiga de cacau gurú natal pura vitalidade e ossatura vegetariana empata foda sempre alerta
oferecidamente ofereceu
pílulas de verdade
sem data de validade
(idéia fixa)
DURAR PARA SEMPRE!
...e ser um natimorto no jardim das delícias e dos cosméticos
28.11.11
-- porque teus pés são teu coração-- (para r.m.m.)
Primeiro toque da manhã - o despetalar primeiro da primavera:
"que estou sempre contigo"
é a sensação mesma do verão de outrora quando procurava nos rastros da rua tua companhia teus ouvidos tua voz...
é que a geografia agora é outra, e a fisionomia é mudança, e na espiral doida dos pensamentos
penduramos - nossas - carcaças
não é questão de tempo - o aqui e agora não existe, como insistiam nossos tutores da raça - o tempo é movimento, e quem move são nossos rostos rasgados pela luz, nossos cabelos comprimidos pelo vento, nossos pés se movendo em sangue e lágrimas...
e já não é mais isso
- onde quer que repouse em teu sono é lá ainda que deves despertar -
mas, quem sabe não estejam certos os que dizem, amanhã é outro dia... tão fácil constatar na matemática as operações egípcias... mas na vida é tão mais difícil, multiplicar, dividir e zerar na equação...
se eu posso, compreenda, porque agora falo comigo mesmo:
PONDERA mas esquece de entender
esquece o livro das virtudes, esquece teus planos, esquece do que
era
para
ser...
- 'olha pro movimento em movimento dentro do movimento' -
(e que sejam estes teus pés)
"que estou sempre contigo"
é a sensação mesma do verão de outrora quando procurava nos rastros da rua tua companhia teus ouvidos tua voz...
é que a geografia agora é outra, e a fisionomia é mudança, e na espiral doida dos pensamentos
penduramos - nossas - carcaças
não é questão de tempo - o aqui e agora não existe, como insistiam nossos tutores da raça - o tempo é movimento, e quem move são nossos rostos rasgados pela luz, nossos cabelos comprimidos pelo vento, nossos pés se movendo em sangue e lágrimas...
e já não é mais isso
- onde quer que repouse em teu sono é lá ainda que deves despertar -
mas, quem sabe não estejam certos os que dizem, amanhã é outro dia... tão fácil constatar na matemática as operações egípcias... mas na vida é tão mais difícil, multiplicar, dividir e zerar na equação...
se eu posso, compreenda, porque agora falo comigo mesmo:
PONDERA mas esquece de entender
esquece o livro das virtudes, esquece teus planos, esquece do que
era
para
ser...
- 'olha pro movimento em movimento dentro do movimento' -
(e que sejam estes teus pés)
17.11.11
Κάθαρσις de catarse
Eu sinto quando sinto:
quando sinto
ela se aproximando,
é pela perfumaria que sei
pelo olor
que primeiro me enjoa
pelo nojo do cheiro suave que ela traz pela cona
que me revolve as tripas
e me barganha -
(satisfazendo o desejo não me mata a fome)
ao entrar pelas narinas seu odor me retorce a traquéia
me bloqueia o espírito e introduz alí
-onde deveria haver vida-
dançarinas pílulas ula-ula:
DiArREiniNA-feLicIdiNA
um extrato abstrato do que devia ser
e não é
e do doce bálsamo do paraíso memorial
resta apenas o macaco:
adão à pururuca
sangue indigesto da beleza
sacristão da indiferença
eis-me alvo
sentado e higienizado
refrescado pela água na bunda
grega e saltitante
: a merda afogada :
é uma tragédia purificante!
quando sinto
ela se aproximando,
é pela perfumaria que sei
pelo olor
que primeiro me enjoa
pelo nojo do cheiro suave que ela traz pela cona
que me revolve as tripas
e me barganha -
(satisfazendo o desejo não me mata a fome)
ao entrar pelas narinas seu odor me retorce a traquéia
me bloqueia o espírito e introduz alí
-onde deveria haver vida-
dançarinas pílulas ula-ula:
DiArREiniNA-feLicIdiNA
um extrato abstrato do que devia ser
e não é
e do doce bálsamo do paraíso memorial
resta apenas o macaco:
adão à pururuca
sangue indigesto da beleza
sacristão da indiferença
eis-me alvo
sentado e higienizado
refrescado pela água na bunda
grega e saltitante
: a merda afogada :
é uma tragédia purificante!
26.9.11
de import(UN)âncias
Não importa. A não-história aqui contida; os esforços empreendidos para compreender a melancolia dos dias; o afã pelo desconhecido – tornado possível; não importa. Que haja na navalha cegas competiçoes entre homens e cães: se não haverá ração para ambos. Não importa. Que não sejamos idólatras. Não importa. Que ainda não amemos uns aos outros apesar de todo o dinheiro do mundo. Não importa. Que a importância dos dias ainda não seja a devida. Não importa. Que a dívida supere o Valor das coisas. Não importa. Se a importação vai mal. Não importa. Ser ou não ser. Não importa. Que a repetição parecerá um mantra. Não importa. Que não devia ser repetido. Não importa. Que a matéria refaça o espírito. Não importa. Para que o Incompreensível possa figurar-se Belo... Não importa. Para que os sorrisos não minguem... Não importa. Se é bom ou ruim. Não importa. Mesmo a exportação. Não importa. Explicações... Não importa. Distração. Também não. Minimalismo. Não importa. Fé. Não importa. Canibalismo. Não importa. Café de coador. Não importa. Datilogravura. Não importa. Que esse texto seja de vinte e sete de dezembro de dois mil e oito. Não importa. Ptemonômilis. Não importa. Ainda que a feére possa argumentar nos tribunais das injúrias e das contradições a favor de nosso pleito, os olhos estarão sempre ardendo adentro – feridas de causas internas. Não importa. O minuto pelo qual passa uma vida. Não importa. E que eu não sinta, absolutamente, pelos que virão. Não importa. Que eu não entenda nada. Não importa. Que tudo seja música! Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Idem. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa. Não importa.
9.9.11
de nomesteus
não posso conservar o som do teu nome no vento por mais tempo que o tempo que leva para dizê-lo...
e quando pronuncio a l o n g a d o
cada sílaba como se fosse
um
pedaço
teu
deixando que cada letra sibile entre os dentes como se pudesse morder a carne
(ainda macia da boca...)
- nada disso se parece com você -
e por isso é ainda hoje o teu pre-nome que eu chamo à noite
um rosto rasgado pela luz
sorriso rouge num corte contornal
desfiladeiro dividindo a semelhança
e era com o fio no olhar que eu te chamava
(quando não havia palavra que nomeasse tua geografia)
- porque nada disso contém teu nome -
e quando pronuncio a l o n g a d o
cada sílaba como se fosse
um
pedaço
teu
deixando que cada letra sibile entre os dentes como se pudesse morder a carne
(ainda macia da boca...)
- nada disso se parece com você -
e por isso é ainda hoje o teu pre-nome que eu chamo à noite
um rosto rasgado pela luz
sorriso rouge num corte contornal
desfiladeiro dividindo a semelhança
e era com o fio no olhar que eu te chamava
(quando não havia palavra que nomeasse tua geografia)
- porque nada disso contém teu nome -
25.8.11
de Dedos heréticos
Os dedos : cirúrgicos : heréticos
Autópsia no rio Nilo:
um filete de saliva escorrendo aberta
pelos muros de berlin deitada em bruços
pelos mamilos duros outrora deus
- um gigolô dactilógrafo -
numa fração de mundo (o tempo) - meu relógio de sol - friccionado na coxa da mais antiga das putas
é ainda
possível
sentir...
( A n e l d e S a t u r n o )
qual saudades do sol
da pele liquefeita em sal
destronando a noite e refazendo o dia
não nela
na cona maestra
(REDESCOBRIR O GESTO)
instintuindo a dor como prazer oficial
Autópsia no rio Nilo:
um filete de saliva escorrendo aberta
pelos muros de berlin deitada em bruços
pelos mamilos duros outrora deus
- um gigolô dactilógrafo -
numa fração de mundo (o tempo) - meu relógio de sol - friccionado na coxa da mais antiga das putas
é ainda
possível
sentir...
( A n e l d e S a t u r n o )
qual saudades do sol
da pele liquefeita em sal
destronando a noite e refazendo o dia
não nela
na cona maestra
(REDESCOBRIR O GESTO)
instintuindo a dor como prazer oficial
21.7.11
de meias medidas
como medir...?
o afeto perdido entre os centímetros de um dragão preservativo...
a caridade estourando nas calças largas dos diretores de engenharia civil...
os fósseis denunciavam a burocracia do amor moderrno - doutorado em arqueologia.
será possível sobreviver a tudo isso?
como medir...?
a fé lubrificada pelos pensamentos positivos...
a possibilidade de ser feliz ante a satisfação segura de um gozo seguro e rápido...
a tranquilidade dos homens ainda reside numa relíquia alfabética - a bem-aventurança das doutoranças...
será possível não repudira a tudo isso?
e também - e porque não - continuar a observar o seus mundos,
sendo o meu
a última ilha desabitada
desta estranha terra
fadada ao fracasso....
Dizem: - é preciso ter bom-senso...
a medida do homem: Coragem
sempre ser e também às vezes estar.... dublar a sombra das vontades alheias e depois de tudo isso esvair-se em solidão, com o blend sanguíneo dos tempos escorrendo entre os dedos, e depois de tudo isso, ir além, espantar os pensamentos abundantes, tornar privado e confortável a fluència da língua, e misturar a tudo isso o desejo de não se tornar vendável... talvez só isso nos reste; talvez não haja mais nada...
rumores de que além daqui haja vida.
tremores que depois disso haja ainda vida.
certeza de que depois de tanto palavrear as coisas continuem sem verbo, sem transição, sinônimos, sem significado, sem substantivos, sem derivados, sem conjunções, sem nenhum tipo de ponto-final
o afeto perdido entre os centímetros de um dragão preservativo...
a caridade estourando nas calças largas dos diretores de engenharia civil...
os fósseis denunciavam a burocracia do amor moderrno - doutorado em arqueologia.
será possível sobreviver a tudo isso?
como medir...?
a fé lubrificada pelos pensamentos positivos...
a possibilidade de ser feliz ante a satisfação segura de um gozo seguro e rápido...
a tranquilidade dos homens ainda reside numa relíquia alfabética - a bem-aventurança das doutoranças...
será possível não repudira a tudo isso?
e também - e porque não - continuar a observar o seus mundos,
sendo o meu
a última ilha desabitada
desta estranha terra
fadada ao fracasso....
Dizem: - é preciso ter bom-senso...
a medida do homem: Coragem
sempre ser e também às vezes estar.... dublar a sombra das vontades alheias e depois de tudo isso esvair-se em solidão, com o blend sanguíneo dos tempos escorrendo entre os dedos, e depois de tudo isso, ir além, espantar os pensamentos abundantes, tornar privado e confortável a fluència da língua, e misturar a tudo isso o desejo de não se tornar vendável... talvez só isso nos reste; talvez não haja mais nada...
rumores de que além daqui haja vida.
tremores que depois disso haja ainda vida.
certeza de que depois de tanto palavrear as coisas continuem sem verbo, sem transição, sinônimos, sem significado, sem substantivos, sem derivados, sem conjunções, sem nenhum tipo de ponto-final
13.7.11
de viés
dos que estavam lá e puderam ver, lembro apenas de um, num relance, tinha o rosto de rinoceronte e os lábios de anêmona, mesmo nunca podendo confiar demais na minha memória, lembro dos olhos, que estavam lá e puderam ver, de relance talvez, seus dois olhos de leopardo, e esfregados pelos dedos de macaco, tinha o dorso como de um urso, talvez como de um rato, não lembro ao certo, apesar de confiar demais na minha memória, não soube distinguir a cor dos cabelos, era arriscado encará-lo, porém eu, dissimulado e muito discreto, olhava p'rum infinito acima de seus ombros, quase cego, desfocando o ponto de fuga, e contornando todos os detalhes de seu rosto, mas não lembro direito, não posso dizer que sei como ele era, nem se estava ou não olhando p'raquilo, ou se ele percebia que eu o observava, talvez por isso, talvez por não saber quem estava lá, e por ter perseguido esse compromisso da memória, não lembro do que vi, na verdade não lembro dos que estavam lá e puderam ver, lembro apenas de mim, que não lembra de nada.
3.7.11
17.6.11
de Dentro pra fora
sou um homem condenado. espetado de dentro pra fora por um pouco de conforto. os meus lábios estão rasgados por um prato de comida e um leito de inverno. esmagado, destroçado, meu coraçao derretido goela abaixo, meu espírito se arremessou nas pedras e paraplégico se arrasta pelo chão atrás de alguma sombra onde possa descansar e sonhar - mas que sonhos! um prato de comida e o traseiro arremessado nas cobertas da caridade? e com que ingratidão olham estes meus olhos pra tudo isso? olhos sedentos e pagãos! olhos assimétricos e notívagos, amarrados a toda paisagem de fora, a tudo que possui luz - não! não quero mais olhar a sombra!
correr não basta. é preciso fugir devagar. fugir! fugir! é preciso ir além, estar inacessível, intocável. mas que covarde eu sou! esta aventura de fugir não é para espiritos fracos. não sou dos que ficam e lutam. dos que crescem e transformam. não estou com os que amam a humanidade.
estou preso a tudo o que odeio! punido por tudo o que amo!
correr não basta. é preciso fugir devagar. fugir! fugir! é preciso ir além, estar inacessível, intocável. mas que covarde eu sou! esta aventura de fugir não é para espiritos fracos. não sou dos que ficam e lutam. dos que crescem e transformam. não estou com os que amam a humanidade.
estou preso a tudo o que odeio! punido por tudo o que amo!
8.6.11
de Canção dos Inflamados I
Eu sou o tumor do bem-estar
o cancrocristadegalomole nas constelações do pacifismo
a farpa aberta de uma unha esmaltada
o pulso do relógio sem batidas ao meios dia
a grande notícia curvada no tempo
um tíquete cuspido pra fora do espetáculo:
um chute no burocrata da birmânia comprando uma espanha cheia de espinhas
a paralisia infantil na adolescência trivial das ações na bolsa social
o benefício da inteligência na faca enferrujada
e sou também a enxaqueca o câncer e o hpv do progresso
sou o bônus
sou o lucro
sou a paz e sou a civilidade
sou a pomba sem cu
a merda sem cheiro
a felicidade transgênica
sou a medida da verdade e o sexo dos anjos explícitos
sou a religião a família e a propriedade
e sou também a corda amarrrada no pescoço do mundo
o único sobrevivente
o único assassino
e o último a pisar nesse chão
a garganta inflamada
os pés inflamados
sou a inflamação da ordem e da democracia
sou o começo da nova canção
a dívida do otimismo
o quilo do preço no pão
eu serei sempre a seta aguda do infinito
o mito íntimo da sua degradação.
o cancrocristadegalomole nas constelações do pacifismo
a farpa aberta de uma unha esmaltada
o pulso do relógio sem batidas ao meios dia
a grande notícia curvada no tempo
um tíquete cuspido pra fora do espetáculo:
um chute no burocrata da birmânia comprando uma espanha cheia de espinhas
a paralisia infantil na adolescência trivial das ações na bolsa social
o benefício da inteligência na faca enferrujada
e sou também a enxaqueca o câncer e o hpv do progresso
sou o bônus
sou o lucro
sou a paz e sou a civilidade
sou a pomba sem cu
a merda sem cheiro
a felicidade transgênica
sou a medida da verdade e o sexo dos anjos explícitos
sou a religião a família e a propriedade
e sou também a corda amarrrada no pescoço do mundo
o único sobrevivente
o único assassino
e o último a pisar nesse chão
a garganta inflamada
os pés inflamados
sou a inflamação da ordem e da democracia
sou o começo da nova canção
a dívida do otimismo
o quilo do preço no pão
eu serei sempre a seta aguda do infinito
o mito íntimo da sua degradação.
20.5.11
de P.erpetuum M.obile - (para)
...onde então eu rosnaria pra você, e ciciando mil neologismos insignificáveis no seu ouvido seria confundido com um outro. Aquele que ambulava com estrelas enferrujadas no bolso esquerdo, o sapato gasto e sujo, e a cara macia, porque acreditava que não haviam mais lastros de memória para se render. Antes disso você sabia o que éramos e por quais ruas deveríamos ter passado e em qual esquina teria sido necessário dizer adeus!, mas ainda assim preferimos recriar a primeira versão dos fatos num motocontínuo delicado... onde então eu rosnaria pra você?, e ciciando mil neologismos insignificáveis no seu ouvido seria confundido com um outro? Não com aquele que ambulava com estrelas enferrujadas no bolso direito, o sapato gasto e sujo, e a cara macia, porque acreditava que não haviam mais lastros de memória para se render. Antes disso você sabia o que éramos e por quais ruas não deveríamos ter passado e em qual esquina teria sido necessário dizer adeus?, mas ainda assim preferimos recriar a primeira versão dos fatos num motocontínuo delicado... onde então eu rosnarei pra você, e ciciando mil neologismos insignificáveis no seu ouvido serei confundido com um outro. Aquele que enferruja estrelas ambulantes no bolso esquerdo, de sapato gasto e sujo, e a cara macia, porque acredita que não há mais lastros de memória para se render. Depois disso você sabe o que seremos e por quais ruas deveremos ficar perambulando e em qual esquina será necessário dizer adeus!, mas ainda assim preferiremos recriar a primeira versão dos fatos num motocontínuo delicado...
13.5.11
de Céu memorável
houve um céu memorável
numa esquina rica em detalhes
cujos enfeites viravam defeitos
apóstolos ajoelhados
jogavam e apostavam
tudo o que não tinham
uvas, maçãs e manjedouras...
no cal a pele maciava estranhas figuras
lá longe
no oriente por enquanto exalam
o exílio essencial
de cada palavra
numa esquina rica em detalhes
cujos enfeites viravam defeitos
apóstolos ajoelhados
jogavam e apostavam
tudo o que não tinham
uvas, maçãs e manjedouras...
no cal a pele maciava estranhas figuras
Na estante uma cabeça de górgona tagarelando comigo. Finjo que não sei ou que não escuto. Sou Perseu aposentado de pernas pro ar. "Pégasus, cadê o osso? Pega! vai. Pega!" Os vizinhos reclamam do barulho. Do lado de fora milhares de batons fincados pelas frestas da janela, baleias sangrando no oceano, e os edifícios sombreando o sono dos desabrigados. Qualquer dia haverá um motivo pra se lamentar disso tudo. Não hoje. Não agora. Ainda há garrafas de cerveja na geladeira, e por enquanto isso basta. Prostitutas delivery. Tv a cabo. Código genético. Luta de classes.
lá longe
no oriente por enquanto exalam
o exílio essencial
de cada palavra
4.5.11
de Cultivos Gregos
sim!, porque se meu corpo fosse um poço
e alí florescesse com um adubo numinoso
uma essência quinta como flor de lótus
pura e improvável num jardim lamacento
(esperança de quem crê no mito do cultivo)
de repente uma lança
aguçada no meio do mundo
ou num agravo de luz
que cega
a penumbra de um pensamento borbulhando na entranha de um musgo universal
que divide a medida
e arrefece os ouvidos
à resposta pra uma pergunta infantil: crianças morrendo no bosque -
brincadeira inocente.
quando sentíamos sede
quando havia um lugar
enquanto houver tempo
- e o mundo prestes a desabar -
cantigas da infância e metros de solidão
fugido de uma verdade oblíqua onde tudo é reticente e mutável e adubavelmente persistente seja no tempo ou na pequena redoma de luz que são os teus olhos-agora
um fugitivo
e um lotófago
um ovo eclodido
e um grego com epifania:
- os hiroshimilhosbrancos! vejo-os no milho! -
...no cinema o casal tem o desfecho de sua própria representação -
"Francamente, querida,
eu não dou a mínima"
e nada termina sem um último suspiro...
e alí florescesse com um adubo numinoso
uma essência quinta como flor de lótus
pura e improvável num jardim lamacento
(esperança de quem crê no mito do cultivo)
de repente uma lança
aguçada no meio do mundo
ou num agravo de luz
que cega
a penumbra de um pensamento borbulhando na entranha de um musgo universal
que divide a medida
e arrefece os ouvidos
à resposta pra uma pergunta infantil: crianças morrendo no bosque -
brincadeira inocente.
quando sentíamos sede
quando havia um lugar
enquanto houver tempo
- e o mundo prestes a desabar -
cantigas da infância e metros de solidão
fugido de uma verdade oblíqua onde tudo é reticente e mutável e adubavelmente persistente seja no tempo ou na pequena redoma de luz que são os teus olhos-agora
um fugitivo
e um lotófago
um ovo eclodido
e um grego com epifania:
- os hiroshimilhosbrancos! vejo-os no milho! -
...no cinema o casal tem o desfecho de sua própria representação -
"Francamente, querida,
eu não dou a mínima"
e nada termina sem um último suspiro...
14.4.11
de Plano Sequência
Um minuto para fecharem os portões. Estou com as entradas da semana passada. Arrisco que ninguém notará. Mergulho no fundo de um precipício cheio de nomes e vozes e presenças irreconhecíveis, mas de alguma forma tudo é muito familiar. Uma flecha pontiaquíles me perfura no meio passo de um caminho que eu não escolhi. Não queria ver esse filme na semana passada. Nem desejo vê-lo agora. Se perceberem o bilhete antigo?, tenho dois, é possível que depois de uma desculposa desculpa distraída o segundo bilhete nem seja conferido. Desconfiemos da nossa própria vontade de vez em quando; para nossa própria segurança. Fica aqui uma pergunta: por que ver esse filme agora? Não possuo a resposta. O segundo bilhete: foi por ele que eu quase assisti a um filme que não queria, foi por ele que eu não assisti a filme nenhum, e é por ele que eu devo assistí-lo agora. Tudo muito simples. Se o filme for ruim... Eu sei que não vou gostar do filme. Bem, não preciso ficar até o fim. Afinal, estou só, e estou onde quero. Seria mais fácil e menos constrangedor se não precisasse fazer isso, mas há alguma coisa lá dentro daquela sala que precisa ser resolvida. Cânticos e feras lunares com luzesdiamantadas do céu perpendicularão um pequeno pedaço do destino, as três fiandeiras miraculosas do destino estarão lá, mijando-se umas nas outras, na tela do cinema e em nossas cabeças. Fechem essa maldita porta antes que eu entre nessa sala. Vagabundos ociosos e namoradinhas com freios de mão estarão lá também enfeitando o cenário desta gesta. Posso entrar, me sentar alí calmamente, e dormir durante o todo o filme. Não. Também isso seria perigoso demais. Ficarei aqui então corajosamente prestes a entrar, e esperarei honradamente que eles fechem os portões antes que eu consiga entrar. Mas eles não fecharão essa porta nunca! É preciso entrar. Sem mais rodeios. Um milhão de centopéias me conduzem a sala de projeção, de onde já posso ouvir os gritos desesperados dos que estão lá, imagino eles acorrentados em suas cadeiras engolindo quilos de hiroshimilhosbrancos socados à força goela abaixo pelos Cérberos-lanterninhas. O Cântico dos cânticos esfaqueando nossos ouvidos com pomadas rejuvenescedoras viscosamente besuntadas em nossas caras pálidas, os olhos estáticos buscando o ponto de fuga daquela renascença do inferno, baratas correndo pelas nossas gengivas, e ferozes rinocerontes de braços tortos socorrendo os velhos que ao menor clarão engolem suas dentaduras. Se houvesse uma única razão, apenas uma simples e tola que fosse, eu me deixaria ficar aqui tranquilamente com a tampa do crânio de minha cabeça entre as pernas esperando essas lesmas cósmicas sugarem meu cérebro e regurgitarem seus planos-sequência, sugando e regurgitando, sugando e regurgitando, sugando e regurgitando, até que finalmente terminasse a película, e então nós a guardaríamos dentro de uma dessas latas de metal de shernobyl e sairíamos com ela embaixo do braço abraçados a uma teta, que foi também sugada e regurgitada durante todo o filme, e no encontro com o ar do mundo, o ar plúmbeo e generoso dos carros, desceríamos a pé e descalços sob o sol desértico dos trópicos. Incandescentes e fritos, mas tranquilos e regurgitados, descansaríamos felizes esta noite em lençóis limpos abraçados a uma TetaGarbo e sonharíamos felizes o filme que realmente gostaríamos que tivesse sido filmado, o filme que realmente queríamos ter assistido. Mas... Não. Também isso seria perigoso demais.
para F.
eleva-me do teu sal tímido num salto
rio abaixo dos graus das latitudes e das expectativas
pr'um protúbero ramificado da tua saliva:
sê breve no teu discurso - leve na queda e no abraço
leve na despedida onde pende o silêncio prenhe de outras medidas
sê leve na gravidade semovente da tua sempre ida
- vela içada de um despetalar de pedras brancas -
multiplica a infinita imaginação do gesto quando a mão alcança
o infinito; um esboço fragrante - cheiro de que?
senão, quedarei velozmente no tempo
sim! leve como a queda de uma nau frágil
numa tormenta póstormentaprévia sempre atormentada
lançada no ar e recolhida pelo vento, pra depois
na hora do esquecimento; d'onde se pode recolher vieiras
se possa perder e se possa reencontrar
pra que se possa depois disso levar num salto
o gosto do teu sal tímido; e leve, tão leve quanto
o rosto de antes e o rosto de agora
corpo em mar aberto rebocado pelo tempo
tanto quanto o tempo leve; e esperar - garrafas ao mar!
que de lá sopre mais que vento.
rio abaixo dos graus das latitudes e das expectativas
pr'um protúbero ramificado da tua saliva:
sê breve no teu discurso - leve na queda e no abraço
leve na despedida onde pende o silêncio prenhe de outras medidas
sê leve na gravidade semovente da tua sempre ida
- vela içada de um despetalar de pedras brancas -
multiplica a infinita imaginação do gesto quando a mão alcança
o infinito; um esboço fragrante - cheiro de que?
senão, quedarei velozmente no tempo
sim! leve como a queda de uma nau frágil
numa tormenta póstormentaprévia sempre atormentada
lançada no ar e recolhida pelo vento, pra depois
na hora do esquecimento; d'onde se pode recolher vieiras
se possa perder e se possa reencontrar
pra que se possa depois disso levar num salto
o gosto do teu sal tímido; e leve, tão leve quanto
o rosto de antes e o rosto de agora
corpo em mar aberto rebocado pelo tempo
tanto quanto o tempo leve; e esperar - garrafas ao mar!
que de lá sopre mais que vento.
4.4.11
de Retratos e retratados
por um tempo o céu por cima da gente
cobrindo a medida e estabelecendo a moda
dos novos chapéus; véus de viúvas católicas,
e o pequeno colar de pérolas para uma nova amante
prometida nos vagos céus de porcos em forma de nuvens
e diamantes arrancados de lá enfeitando os salões da nobreza
deixados ou virados pelo avesso do tempo
e com a mais pura ostentação da riqueza de seus corpos
nús; colocados diante da minha paleta de cores
como se fossem minha obra inacabada, meu retrato crú
de Mademoiselle e Messier Fulano de Tal com peles brancas
e de suave modernidade; minha tinta, nossa tinta!
retrato e retratado, retrato e retratado, eis a ultra-tinta-humana:
minha lâmina derrama eternidade destes olhos
minhas falanges arqueiam a beleza de suas traquéias
e quem dirá que não
que não...
se a beleza de seus corpos está agora eternizada
na rouge canção de suas tragédias!
cobrindo a medida e estabelecendo a moda
dos novos chapéus; véus de viúvas católicas,
e o pequeno colar de pérolas para uma nova amante
prometida nos vagos céus de porcos em forma de nuvens
e diamantes arrancados de lá enfeitando os salões da nobreza
deixados ou virados pelo avesso do tempo
e com a mais pura ostentação da riqueza de seus corpos
nús; colocados diante da minha paleta de cores
como se fossem minha obra inacabada, meu retrato crú
de Mademoiselle e Messier Fulano de Tal com peles brancas
e de suave modernidade; minha tinta, nossa tinta!
retrato e retratado, retrato e retratado, eis a ultra-tinta-humana:
minha lâmina derrama eternidade destes olhos
minhas falanges arqueiam a beleza de suas traquéias
e quem dirá que não
que não...
se a beleza de seus corpos está agora eternizada
na rouge canção de suas tragédias!
27.3.11
de sonhos
primeiro dos sonhos
depois das promessas
depois de nós
depois de ti
e agora
desisto
de
m
i
m
d
a
q
u
i - n t e s
s
ê n
c i a
o primeiro dos sonhos: a matéria insonhável -
de espreitar da sombra agarrado a um poema irlandês
sem cafés cigarro ou sorte - nem silêncios vem
uma imitação desafinada do vôo de um pássaro
primeira violeta a arrebentar a aurora
depois das luas perdidas duas melodias
depois do depois, que inventar do porvir?
de ouvir canções perdidas também me perco
entre meias medidas e vozes imelodiáveis
num estranho rústico alçar de asas
som que persegue no encalço
o sonho - que foi o primeiro dos meus sons
depois das promessas
depois de nós
depois de ti
e agora
desisto
de
m
i
m
d
a
q
u
i - n t e s
s
ê n
c i a
o primeiro dos sonhos: a matéria insonhável -
de espreitar da sombra agarrado a um poema irlandês
sem cafés cigarro ou sorte - nem silêncios vem
uma imitação desafinada do vôo de um pássaro
primeira violeta a arrebentar a aurora
depois das luas perdidas duas melodias
depois do depois, que inventar do porvir?
de ouvir canções perdidas também me perco
entre meias medidas e vozes imelodiáveis
num estranho rústico alçar de asas
som que persegue no encalço
o sonho - que foi o primeiro dos meus sons
14.3.11
de Paris
café frio pra que nem cabem na cabeça de ninguém
conversas de arrancar fora as horas e os versos do chapéu
uma tragédia que se derrama no pão depois de trigo
ninguém mais lembrará da foice das guilhotinas
dos silêncios; bárbaros como só compete a nós
sermos; fome que conhece a nós seres de uma estratosfera mínima
enxugada da memória e repousada no tempo.
(tudo isso me lembra a Paris que não conheço)
cachorros borrachos deprimem a paisagem de setembro; e o que falamos no jardim
esta manhã, será necessário fingir que não,
recostados para a Avenida do Mal-Estar na Civilização, como tíquetes
de um espetáculo já assistido - Orfeu e Annabele -
devemos nos esquecer também num passeio urbano, deixar-se findar
num cimento castanho-escuro: legado de teus pés;
tudo isso porque não pudemos ser esquecidos pelo esquecimento
um pelo outro e pelo tempo que ainda temos...
conversas de arrancar fora as horas e os versos do chapéu
uma tragédia que se derrama no pão depois de trigo
ninguém mais lembrará da foice das guilhotinas
dos silêncios; bárbaros como só compete a nós
sermos; fome que conhece a nós seres de uma estratosfera mínima
enxugada da memória e repousada no tempo.
(tudo isso me lembra a Paris que não conheço)
cachorros borrachos deprimem a paisagem de setembro; e o que falamos no jardim
esta manhã, será necessário fingir que não,
recostados para a Avenida do Mal-Estar na Civilização, como tíquetes
de um espetáculo já assistido - Orfeu e Annabele -
devemos nos esquecer também num passeio urbano, deixar-se findar
num cimento castanho-escuro: legado de teus pés;
tudo isso porque não pudemos ser esquecidos pelo esquecimento
um pelo outro e pelo tempo que ainda temos...
8.3.11
Poema inacabado (continuar)
cansado, não possuo mais forças pra me livrar do que odeio: em mim - o rosto não é mais do que uma injúria
os pés estão trôpegos e sem possibilidades de conforto num leito prometido por uma idéia ingênua de felicidade...
alguém no ranço fácil da cortesia
que acalma, e talvez saiba mentir melhor que o sorriso de uma mulher melancólica
você
sussurrando
por trás das cortinas
- estou agredido pela lembrança -
a minha última notícia de pensamentos bons?
o salto por trás da razão pura
estávamos escondidos
eu
e
tu
acéfalos e impacientes, crendo que talvez somente inocentados pudéssemos
...continuar...
os pés estão trôpegos e sem possibilidades de conforto num leito prometido por uma idéia ingênua de felicidade...
alguém no ranço fácil da cortesia
que acalma, e talvez saiba mentir melhor que o sorriso de uma mulher melancólica
você
sussurrando
por trás das cortinas
- estou agredido pela lembrança -
a minha última notícia de pensamentos bons?
o salto por trás da razão pura
estávamos escondidos
eu
e
tu
acéfalos e impacientes, crendo que talvez somente inocentados pudéssemos
...continuar...
28.2.11
de Janelas escancaradas
agora mesmo, nesse fluir das pálpebras, aberto, os olhos, a janela traz o vento e o cheiro silencioso da noite, mesmo agora, é possível estar longe, não estar aqui e sentir os caricílios dos teus olhos bem próximos aos meus, como a namoradeira na janela de cotovelos gelados, sentindo saudades e o cheiro silencioso da noite, os olhos abertos, e é possível não estar aqui, agora mesmo, a janela aberta, fluir dos corpos, mesmo agora, enquanto caio...
25.2.11
de Zéfiro
justo porque quando ela liga o ventilador e a palavra não é de todos...
uma sensação espalhada pelo vento pelo silêncio e pela demora
mas há ainda uma equação a ser resolvida; que não é o cabresto do valente; nem o estribo do que sabe mais ou menos; nem uma sela que resolverá a alergia dos que tem à pelo...
é
talvez
uma soma de resultados
não calculados
entre a sombra a foice e o medo -
um corte de esgrima executado na ponta precisa do golpe:
um acerto fora da crença
daquele que mede o tipo depois do modelo:
quando assim se refaz o caminho
se meu
ou teu
ou se flor fora do tempo
deixa lá
assim o vento saberá o que foi feito do sopro...
uma sensação espalhada pelo vento pelo silêncio e pela demora
mas há ainda uma equação a ser resolvida; que não é o cabresto do valente; nem o estribo do que sabe mais ou menos; nem uma sela que resolverá a alergia dos que tem à pelo...
é
talvez
uma soma de resultados
não calculados
entre a sombra a foice e o medo -
um corte de esgrima executado na ponta precisa do golpe:
um acerto fora da crença
daquele que mede o tipo depois do modelo:
quando assim se refaz o caminho
se meu
ou teu
ou se flor fora do tempo
deixa lá
assim o vento saberá o que foi feito do sopro...
Assinar:
Postagens (Atom)